{"id":372,"date":"2020-12-10T15:06:05","date_gmt":"2020-12-10T20:06:05","guid":{"rendered":"http:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/?page_id=372"},"modified":"2026-03-19T08:58:53","modified_gmt":"2026-03-19T12:58:53","slug":"o-lote-clandestino","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/publications\/o-lote-clandestino\/","title":{"rendered":"O LOTE CLANDESTINO"},"content":{"rendered":"\r\n<section class=\"fullwidth-text-block\">\r\n\t<div class=\"container px-0 pt-5\">\r\n\t\t<div class=\"row align-items-start\">\r\n\t\t\t<div class=\"col-12\">\r\n\t\t\t\t\n<h1 class=\"wp-block-heading\">O LOTE CLANDESTINO<\/h1>\n\n\n\n<p><strong>O LOTE CLANDESTINO<\/strong><\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Um t\u00edtulo \u00e9 capaz de revelar bastante. A palavra lote chegou ao portugu\u00eas via franc\u00eas, mas as origens dela s\u00e3o anglo-germ\u00e2nicas. As principais acep\u00e7\u00f5es em ingl\u00eas \u2014 quantidade, conjunto de objetos, itens para leil\u00e3o, quinh\u00e3o numa partilha, esp\u00e9cie, parcela de terra \u2014 o portugu\u00eas moderno revela igualmente, al\u00e9m de outras curiosas que a l\u00edngua de Yeats e Williams n\u00e3o possui. Todos esses significados t\u00eam a ver com as estruturas e as tem\u00e1ticas do presente livro, e os leitores ter\u00e3o prazer em fazer as associa\u00e7\u00f5es. H\u00e1 um sentido em ingl\u00eas de lot, por\u00e9m, que a l\u00edngua de Bandeira e dos Andrades n\u00e3o manifesta, e ele tem tudo a ver. Aguardem a conex\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>O voc\u00e1bulo clandestino, por sua vez, remete-nos aos antigos poderes secretos da l\u00edrica encantat\u00f3ria, \u00e0 condi\u00e7\u00e3o (p\u00f3s-)moderna da arte do verso relegada a cantos escondidos, e ao papel subversivo do poeta. Os leitores deleitar-se-\u00e3o igualmente em ligar essas e outras reverbera\u00e7\u00f5es do t\u00edtulo \u00e0s argutas inst\u00e2ncias l\u00edricas e aos conturbados momentos antil\u00edricos desta cole\u00e7\u00e3o. E ali h\u00e1 uma outra surpresa, \u00e9pica; aguardem.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Por agora, lembrem-se que clandestino \u00e9 sin\u00f4nimo de bookmaker, aquele que aceita apostas \u00e0s escondidas, e que no idioma-fonte significa &#8220;quem faz livros&#8221;. Pois bem, de livro Adriano Esp\u00ednola tem feito muito: criou um dos mais interessantes t\u00edtulos da recente poesia brasileira, aceitou desafios textuais v\u00e1rios, e apostou em solu\u00e7\u00f5es novas e combina\u00e7\u00f5es instigantes e intrigantes, f\u00f3rmulas originais.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Nada de esconder-se (feito clandestino em navio ou trem) neste chamativo conjunto de poemas. Pelo contr\u00e1rio, seus eus l\u00edricos (\u00e0s vezes aparentando confundir-se com o pr\u00f3prio autor, ou pr\u00e9via encarna\u00e7\u00e3o dele, brincando com a impessoalidade eliotiana), suas personae gritando ou desenhando lances, jogam-se em ruas, esquinas, pra\u00e7as, espa\u00e7os p\u00fablicos, dom\u00ednios liter\u00e1rios nacionais e \u00e1reas transnacionais. Tudo para expor dramas e explorar linguagens, testar e contestar fazeres e afazeres, exorcizar dem\u00f4nios e dilemas de quem vive como cabe\u00e7a pensante e criativa na sociedade de consumo (&#8220;com-\/pensa&#8221;?), convive com tantas presen\u00e7as po\u00e9ticas, e convence, afinal, com constru\u00e7\u00f5es intrincadas e insights imaginativos em s\u00e9rie.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Aqui, a intertextualidade em todas as suas formas \u00e9 instrutiva, divertida e essencial, como se v\u00ea no poema &#8220;O banquete dos mendigos&#8221;. Mas os materiais em tens\u00e3o (unidades utilit\u00e1rias e &#8220;inutilidades&#8221; art\u00edsticas) e a deliciosa dial\u00e9tica de signos e sinais, notadamente nas se\u00e7\u00f5es visuais &#8220;Urbs&#8221; e &#8220;Grafites&#8221;, da \u00e9tica debatida e da est\u00e9tica de batida (&#8220;Eu, o real fundador do cinismo na poesia brasileira&#8221;), informam mais, no fim das contas, tanto no sentido textual quanto no cont\u00e1bil.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>E o nosso fim? Chegar ao que faltava falar dos substantivos do t\u00edtulo. Pois bem, no idioma de Pound lot carrega o sentido de fate, destiny. E \u00e9 de fato a sina de um ser poeta (anti-sermo nobilis, homo ludens, designer, fingidor, ente dolorosamente questionador, entre outras coisas) que a voz de um homem de seu tempo entoa nestas p\u00e1ginas, sobretudo no poema \u00e9pico inicial, &#8220;Minha gravata colorida&#8221;. Esp\u00ednola \u00e9 esse veloz fazedor, que divaga e brilha em um mundo cada vez mais instrumentalista, nesta nefasta fase neoliberal.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>Captar nas antenas e cantar as palavras da tribo, o fado da grande fam\u00edlia, a fortuna de coletividades (de escritores, de cidad\u00e3os), o destino do cl\u00e3, o avesso e o reverso (&#8220;O verso \u2014 e o meu reverso \u2014 \u00e9 o meu sal\u00e1rio&#8221;) do clan-destino, no verso de uma consci\u00eancia aguda, na ci\u00eancia do dizer de um destro de nossos dias, no Brasil e alhures. Adiante, para a frente, all aboard, como proclama no seu vertiginoso T\u00e1xi (1986), sa\u00eddo das estradas abertas por este livro.<\/p>\n\n\n\n\n\n<p>O lote clandestino, nesta 2a. edi\u00e7\u00e3o (a 1a. \u00e9 de 82), continua penetrante, valioso, valente, polivalente. O poeta \u00e9 convictamente urbano; est\u00e1 a postos na pra\u00e7a. Aten\u00e7\u00e3o, companheiros leitores. Sempre com direito \u00e0 ambig\u00fcidade apropriada, duas perguntas ficam em rela\u00e7\u00e3o a este Lote: &#8220;Quem d\u00e1 mais ? Quem se habilita?&#8221;<\/p>\n\n\n\r\n\t\t\t<\/div>\r\n\t\t<\/div>\r\n\t<\/div>\r\n<\/section>\r\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"","protected":false},"author":1075,"featured_media":0,"parent":19,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_acf_changed":false,"featured_post":"","footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"class_list":["post-372","page","type-page","status-publish","hentry"],"acf":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/372","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1075"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=372"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/372\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":606,"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/372\/revisions\/606"}],"up":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/19"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/people.clas.ufl.edu\/perrone\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=372"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}